Revis„o Internacional de Pesquisa em Autismo, 1994.Vol.8, N�3,pag.3
Intervená„o comportamental precoce intensiva: uma carta de apoio
" NÛs somos pais de uma crianáa autista de 3 anos . Depois de ler Deixe-me Ouvir Sua Voz e conversar com outros pais que iniciaram uma intervená„o comportamental precoce, nÛs ficamos muito ansiosos para inscrever nosso filho em um programa de intervená„o comportamental intensiva precoce. As escolas oficiais s„o cÈticas e relutantes. O senhor estaria disposto a nos escrever uma carta de apoio, para nos auxiliar a conseguir esse tipo de tratamento para nosso filho?"
Depois de responder individualmente aos primeiross doze ou mais pedidos, escrevi uma carta genÈrica de apoio do tipo " A quem possa interessar", a qual foi enviada ‡ famÌlias nos US, Canad·, e, recentemente, atÈ para Austr·lia, as quais haviam telefonado, enviado faxes, ou escrito, pedindo ajuda. Uma vez que h· muitas outras famÌlias que poderiam tambÈm se beneficiar, aqui, impressa, est· minha carta de apoio:
A Quem Possa Interessar:
Como psicÛlogo com mais de 30 anos de experiíncia em pesquisa no campo do autismo, e como editor da Revista Internacional de Pesquisa em Autismo, eu gostaria de registrar enf·ticamente meu apoio ao valor da intervená„o comportamental intensiva e precoce como uma modalidade - na verdade a mais importante modalidade disponÌvel - passÌvel de trazer melhoras ‡ muitas crianáas autistas. Meu apoio ao valor da intervená„o comportamental intensiva precoce est· baseado em duas linhas de evidíncia :
Pesquisa: n„o h· nenhuma d˙vida quanto ao fato de que as pesquisas confirmam inquestion·velmente o benefÌcio da intervená„o comportamental precoce no autismo. O primeiro estudo, publicado em 1985 por Fenske et al., do Instituto Princeton de Desenvolvimento Infantil, nos Anais de Intervená„o nas Desordens do Desenvolvimento ( vol.5, p·ginas 849-56) relata que 60% das crianáas autistas envolvidas no programa antes dos cinco anos tiveram uma melhora significativa, que possibilitou sua frequíncia normal em classe ( n„o sÛmente uma "inclus„o").
O estudo do PCDI atraiu pouca atená„o. A publicaá„o de um experimento controlado , no qual 19 crianáas participantes de um programa de intervená„o comportamental precoce era comparado ( uma relaá„o de observaáıes avaliadas) a um grupo controle de 40 crianáas submetidas a intervenáıes comportamentais menos intensivas, causou um grande interesse em relaá„o ‡s intervenáıes comportamentais precoces. Nove crianáas no grupo experimental (intervená„o comportamental precoce) puderam frequentar normalmente a escola, enquanto que, no grupo controle, sÛmente uma crianáa teve tal grau de desenvolvimento.
Os resultados t„o marcadamente positivos desse estudo do Dr. Ivar Lovaas e colegas, da UCLA, foram t„o surpreendentes que os editores da Revista de Psicologia ClÌnica submeteu o artigo a uma revis„o especial a cargo de trís editores associados muito respeitados antes da sua publicaá„o ( vol. 65, n�1, 1987, p·ginas 3-9).
Posteriormente uma continuaá„o do artigo foi publicada, na Revista Americana de Retardo Mental ( vol.4,1993), no qual McEachin, Smith e Lovaas relataram que o excelente progresso educacional e progresso nas habilidades sociais normais, em todos os par�metros, permaneceu atravÈs da adolescíncia nos participantes do grupo experimental ( intervená„o intensiva).
Um n˙mero de profissionais altamente respeitados foram convidados a fazer coment·rios a esse ˙ltimo artigo, e seus coment·rios foram, quase que em sua totalidade muito favor·veis, publicados no mesmo volume.
Resultados semelhantes, altamente positivos, baseados em intervená„o intensiva e precoce, foram obtidos por Harris et al., da Universidade Rutgers, e publicados pela Revista de Autismo e Desordens do Desenvolvimento ( vol. 21, n�3,1991,p·ginas 261-290). Os estudos PCDI e da UCLA avaliaram crianáas autistas de baixo funcionamento, enquanto o estudo de Rutgers avaliou crianáas de comprometimento brando a moderado.
Evidíncias clÌnicas: desde a publicaá„o do estudo do Dr. Lovaas tenho sido contactado por numerosos pais de todo os US, os quais adotaram uma intervená„o comportamental intensiva e precoce para seus filhos, as vezes um programa domÈstico, outras atravÈs do prÛprio sistema escolar. Fiquei favor·velmente impressionado com o endosso consistente desses pais ‡ intervená„o precoce e intensiva . Uma m„e recentemente me telefonou para contar-me que seu filho teve uma melhora mais consistente, em trís semanas de uso do "mÈtodo intensivo do Dr. Lovaas" que nos trís anos anteriores com o programa regular da escola, o qual era especÌfico para auxiliar crianáas autistas. Tal entusiasmo n„o È raro.
Erros de conceito: quando comecei a escrever e fazer palestras sobre modificaáıes comportamentais , em 1965, dois erros conceituais eram prevalentes. Desafortunadamente esses mesmos erros prevalecem atualmente.
Alguns crÌticos da intervená„o comportamental afirmam que ela produz crianáas com padrıes comportamentais rÌgidos, como robÙs, seriam como focas amestradas. Isso È um absurdo completo.
Em seu excelente livro, Deixe-me Ouvir a Sua Voz, a autora Catherine Maurice conta como seus dois filhos, diagnosticados com autismo severo por renomados neurologistas e psiquiatras da cidade de Nova Iorque, recuperaram-se de tal forma que n„o h· como consider·-los sen„o como normais, b·sicamente devido · um programa de intervená„o domiciliar intensiva e precoce . Recentemente conversei com Ira Cohen, PhD, e Richard Perry, M.D., que conhecem as duas crianáas descritas por Catherine Maurice em seu livro. Eles relatam que n„o observaram sinais de autismo nessas crianáas, e, de fato, eles escreveram um artigo sobre esse fato, que est· prestes a ser publicado na Revista da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente.
O segundo erro conceitual È o que pressupıe que a intervená„o comportamental sempre usa estÌmulos negativos. N„o È verdade! A intervená„o comportamental usa em grande parte reforáos positivos, e, mesmo um suave estÌmulo negativo, como um "n„o"em voz alta, È raro, se È que alguma vez seja necess·rio. ( EstÌmulos negativos eram usados mais frequentemente antigamente na terapia comportamental).
Recuperaá„o do autismo: por que h· tanto ceticismo sobre os efeitos da intervená„o comportamental precoce ?N„o h· d˙vidas que muitos s„o cÈticos, n„o compreendem, devido ao fato do autismo ser tido como uma desordem biolÛgica, e parece ser improv·vel que um tratamento comportamental seja t„o efetivo. N„o subestimem a capacidade do corpo de realizar algo prÛximo do incrÌvel, deem-lhe um objetivo marcante, treinamento intensivo e de longa duraá„o. Considerem as marcas incrÌveis de um ginasta olÌmpico, e a intensidade de treinamento necess·ria para tal. Os grandes resultados do ginasta sÛ s„o possÌveis graáas ao treinamento intensivo. As evidíncias mostram que È possÌvel, para algumas crianáas autistas, aprender como contornar suas dificuldades, desde que iniciem ainda crianáas e a pr·tica seja realmente intensiva, uma-terapeuta-para-uma-crianáa, com 30 horas ou mais por semana.
Mas, o que exatamente È isso que deve ser praticado, para superar o autismo? Eu abordei esse tema em meu artigo de 1965, " Condicionamento Operacional: Um avanáo no tratamento da Doenáa Mental em Crianáas". NinguÈm sabe por que o condicionamento operacional ( atualmente chamado de modificaá„o comportamental) funciona, nem por que as mudanáas no comportamento se generalizam e podem ser aplicadas em tantos novos comportamentos. Sintonizar-se - aprender como focalizar a atená„o, decidindo em que prestar atená„o - È t„o natural para nÛs que damos como ponto pacÌfico. Mas vocí n„o pode aprender se n„o n„o consegue prestar atená„o. Crianáas autistas, eu sugiro que precisam aprender como concentrar-se, focalizar e dirigir sua atená„o. Sem uma motivaá„o especÌfica e imediata, n„o uma motivaá„o de longo prazo ( como graduar-se na faculdade), sem um programa especialmente direcionado , que lhes possibilite progredir em pequenas etapas, muitos nunca conseguir„o aprender. Com o treinamento operacional a crianáa autista n„o somente aprende, mas aprende como aprender.
Quando eu escrevi essas palavras, h· 30 anos atr·s, eu n„o imaginava qu„o bem , mesmo crianáas autistas severamente prejudicadas, poderiam aprender como organizar sua atená„o efetivamente, se as circunst�ncias - modificaá„o comportamental intensiva- especificarem que elas devem aprender a ficar atentas.
Nesse mesmo artigo ( que foi baseado na palestra feita na fundaá„o da Sociedade Americana de Autismo em 1965), eu tambÈm disse: " o valor de colocar uma crianáa em uma classe firme e estruturada , com outras crianáas - similares a ela , retardadas ou normais- n„o deve ser menosprezado. Quando o comportamento da crianáa e sua atená„o estiverem controlados, a famÌlia e os professores, devem assumir o controle de todo seu aprendizado e socializaá„o�Se os professores e a famÌlia da crianáa s„o insistentes em que ela se adapte e progrida, e utilizam os princÌpios descritos acima, ent„o o desenvolvimento dessa crianáa ser„o, possÌvelmente, not·veis."
